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Uma jovem com a Vaquejada nas veias

Maravilhoso e prodigioso. É exatamente assim dentre outros adjetivos, que essa jovem amante da nobre arte de “correr boi” define o que é o esporte Vaquejada

11/08/2018 10:33:47

Por Roberto Carlos - Fotos: Landau

Ana Alice em um momento ímpar

Natural da “Capital da Agricultura e da Lavoura Mecanizada”, como também é conhecida Balsas; urbe localizada no Sul do Maranhão, Ana Alice Scherer é mais uma jovem que desde os 18 anos de idade, a exemplo da própria irmã Vanessa,  abandona a rotina semanal e se lança na magia, beleza e adrenalina das “festas de gado”, nos finais de semana, compartilhando o fascinante mundo country com outras intrépidas vaqueiras, para competir em uma cultura secular e genuinamente nordestina, que exige de cada participante dedicação, garra, amor e obstinação pela Vaquejada e pelos equinos.

Nessa entrevista Ana Alice destaca sua paixão pelas provas de Vaquejada dentre outros assuntos. Vale a pena conferir.    

Ana Alice ao lado de Denilso Farias (esteira), Jordão Locutor e amigas. Representação Rancho Sinuelo/MA

 Vaquejada&Cia - Como surgiu essa sua paixão pelo esporte Vaquejada?

Ana Alice - Eu tenho amor por cavalos desde pequena, meu pai e meu avô sempre tiveram e foram apaixonados por cavalos, então comecei a montar, já que tive essa influência e convivência. E como consequência disso, eu e minha irmã começamos a assistir nossos amigos vaqueiros correndo e despertou essa paixão: a vontade de correr boi. Minha irmã começou primeiro e eu fui seguindo o mesmo caminho... Na época, também já tinha algumas vaqueiras que corriam, como a Marcela Nôleto, de meu Estado, e isso foi só despertando cada vez mais a vontade de correr e entrar no mundo da Vaquejada.

V&CIA– O que você acha que deveria melhorar nos parques com vistas a dar maiores condições para que as mulheres possam participar das provas?

AA -Apesar de toda a desvalorização da participação de mulheres no esporte, o índice de vaqueiras correndo só vem aumentando, então acho que os donos dos parques deveriam dar mais apoio e incentivo a elas, tratar as tropas e categorias femininas com mais seriedade, com horários certos e boiada padrão, como foi na vaquejada de Mãe do Rio, um exemplo.

V&CIA – Apesar do avanço, você acredita que as mulheres ainda são pouco valorizadas no esporte. Por quê?

AA - Sim, com certeza. Como disse, já teve um avanço muito grande, mas as mulheres ainda sofrem muito preconceito nas vaquejadas, tanto pelos donos de parque como pelos vaqueiros. Não generalizando, mas muitos acham que vaquejada não é lugar para mulher, que não deveriam correr e que só atrapalham as corridas. Porém, da mesma forma que os homens, viajamos quilômetros de distância, temos despesas pra levar os cavalos, e vamos praticar o que amamos, que é correr Vaquejada.

V&CIA – O que você acha que deveria ser melhorado ou modificado para que mais mulheres possam aderir ao esporte?

AA - Acho que deveria ter mais incentivo dos donos de parque, e também mais união das vaqueiras, para que juntas lutemos por nossos direitos para que a categoria feminina seja cada vez mais consolidada em todas as corridas e circuitos do País.

V&CIA – Com tantas mulheres correndo Vaquejada Brasil a fora, será que não é chagada a hora das associações de vaqueiras, com a ajuda da ABVAQ, estudarem uma forma de criarem um circuito nacional exclusivo para as mulheres. Qual o seu entendimento a respeito disso?

AA - Eu acho que seria maravilhoso, é uma possibilidade boa de ser analisada com a ABVAQ, as associações de vaqueiras e os donos de parques, abrangendo por todo o Brasil, abririam mais ainda as portas para as mulheres, não tendo foco só em alguns estados, mas sim, em toda as regiões brasileiras, pois é evidente a concentração de corridas e influências em apenas alguns estados, e muitas mulheres de outras regiões deixam de participar.

V&CIA – Com relação à premiação ofertada nas provas de Vaquejada destinada as mulheres, você acredita que deviam ser melhoradas ou em seu entendimento está de acordo com a realidade?

AA  - Como em muitas tropas ou categorias femininas os donos de parque não cobram senhas, não acho injusto eles darem a premiação que quiserem, porém não compensa pra muitas que gastam com frete, deslocamento, entre outros, viajarem por uma premiação muito baixa. O mais correto pra mim é a classe feminina ser tratada como qualquer um outro competidor, pagando sua senha e exigindo todos os direitos que tem, consequentemente um valor de premiação justo.

V&CIA – Qual a importância da vitória na última vaquejada de Mãe do Rio?

AA - Mãe do Rio sempre foi um sonho participar, imagine ganhar em 1° lugar, uma emoção indescritível. Já tinha participado da corrida em 2013 e fiquei em 3° lugar, mas sempre sonhei em ser campeã e, graças a Deus, dessa vez deu certo e eu realizei esse sonho. O mais emocionante ainda foi ganhar correndo no meu cavalo.

V&CIA – Além desse título em Mãe do Rio, você ganhou em outro parque?

Sim, já ganhei em Dom Pedro/MA, São João dos Patos/MA, Uruçui/PI, Colinas/TO, Riachão/MA, Grajau/MA, Nova Iorque/MA. Vitórias inesquecíveis!

V&CIA – Seus pais apoiam integralmente essa sua escolha pelo esporte ou existe restrições?

AA - Meu pai apoia muito, torce e vibra sempre com minhas conquistas! Já minha mãe, pela sua preocupação, não gosta muito, com medo que eu caia e me machuque, mas não proíbe também!